12/11/09

FHC(PSDB), o algoz da Petrobras

O pai, grande lutador pela empresa, o filho fez tudo para destruí-la.
O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu uma missão: desmontar o País. A Petrobras está na sua longa agenda macabra de demolidor do futuro.
Acompanhe os passos de FHC rumo ao seu grande objetivo:

1993

Neste ano, o então ministro FHC promoveu um corte de 52% no orçamento de 1994 da PETROBRAS. Isto só não paralisou a empresa porque estourou no Congresso o escândalo do Orçamento, impedindo que se fechasse o orçamento geral da União antes de outubro de 94. Ainda assim a PETROBRAS teve retardados diversos projetos em andamento.

1994

Através do Departamento Nacional de Combustíveis, o ministro FHC promoveu uma manipulação da estrutura de preços que transferiu, permanentemente, da PETROBRAS para as multi nacionais da distribuição cerca de US$ 3 bilhões/ano. Nos 6 meses que antecederam a URV o governo deu dois aumentos por mês aos combustíveis para compensar a desvalorização diária da moeda nacional frente ao dólar.
Nesses aumentos, a parcela da PETROBRAS aumentava abaixo da inflação enquanto a das distribuidoras aumentava acima da inflação. De dezembro de 93 a abril de 94 os aumentos foram de: a) inflação 536%; b) parcela da PETROBRAS 491% e c) distribuidoras 703%. Com a Urverização os ganhos e perdas respectivas se tornaram permanentes, criando no Brasil a maior margem de distribuição do mundo.

1995

O governo, mais uma vez, faltando com o compromisso negociado com a categoria, levou os petroleiros à greve com o firme propósito de destruir o sindicalismo brasileiro. E colocou tropas militares nas refinarias, deixando as distribuidoras de combustíveis e de gás sonegarem os produtos. Há documentos do DNC provando isto.

Pelo Cano

Em 1995, deflagrou a construção do gasoduto Bolívia-Brasil que vai permitir às empresas do Cartel das 5 irmãs venderem uma massa de 1,1 trilhão de m3 de gás ao único cliente possível (150 bi na Bolívia, 350 bi de m3 em Camisea, Peru, descoberto pela Shell em 1983 e até hoje não explorado e 600 bi de m3 na Argentina, pertencentes à Shell, Enron e British).
A PETROBRAS constrói o duto (economicamente inviável) drenando recursos que poderiam ser aplicados na Bacia de Campos, onde o retorno é acima de 60% ao ano. O gás vai ser usado em termoelétricas. Teremos uma matriz energética mais poluente e estaremos dependentes de energia externa fornecida por um monopólio natural, comandado por multinacionais. Mary Quinn, diretora de investimentos do C.S.F. Boston declarou que não consegue explicar este investimento da Petrobras.

Quebra

Em 1995, a quebra do monopólio do petróleo com pressões, chantagens e barganhas com o Congresso Nacional.
Ainda em 1994, no governo Itamar, as estatais estratégicas, durante o processo de Revisão Constitucional, enviaram os seus técnicos a Brasília para dar informações sobre os dados significativos das empresas. Isto ajudou a impedir que a Revisão Constitucional se realizasse. No governo FHC os empregados foram proibidos de ir ao Congresso conversar com os parlamentares sob pena de demissão. O Decreto 1.403 de fevereiro de 95 criou o SIAL – Serviço de Informação e Apoio Legislativo, que foi o grupo de “Intelligentzia” criado com a missão de verificar a ida dos empregados para fins de demissão.

1996

Anulação do Contrato de Gestão. Envia a Lei 9.478 que quebra o monopólio da União (art. 26), permite a exportação (art. 60) e cria subsidiárias (art. 65) para cumprir o plano C.S First Boston de desmonte da empresa.

Também em 96, na Europa, os governos assinam um contrato de Gestão com as empresas estatais e estabelecem metas a serem cumpridas pelas empresas.

Caso as metas não sejam cumpridas rolam cabeças de dirigentes. Mas o governo não interfere na gestão das empresas. Por isto elas são eficientes e lucrativas a ponto de comprarem estatais no exterior, inclusive no Brasil. Aqui as estatais são violentadas pelo governo. É o único caso do planeta Terra, em que o acionista majoritário trabalha contra a sua empresa. O governo Collor mudou, em dois anos, 6 presidentes e 24 diretores. O governo FHC vem fazendo um estrago maior. O governo FHC anulou o contrato de Gestão que havia entre o governo e a Petrobras.

O Golpe

FHC envia ao Congresso a Lei 9.478 que iria regulamentar o setor de petróleo após a quebra do monopólio em 1995. A Lei extingue violentamente a Lei 2.004 que criou a PETROBRAS após um dos maiores movimentos cívicos ocorrido no País. A Lei, além de desrespeitar a Constituição em vários artigos, efetiva a quebra do monopólio da União.

O artigo 26 é claro: a concessionária que produzir o petróleo torna-se sua proprietária, cabendo à União o monopólio de rocha vazia. O artigo 60 permite a exportação do petróleo. O nosso petróleo que poderia nos suprir por 40 anos, pode ser exaurido em 10 anos. As Cinco Irmãs têm hoje menos de 5% das reservas mundiais. Usarão as nossas. A Lei é um conjunto de artigos que anulam a Constituição e o bom senso.

1997

Cria a ANP e nomeia o genro para comandar o processo de engessamento da Petrobras.

Corte de R$ 1 bilhão nos investimentos. Obriga a empresa a apelar para parcerias. Os parceiros, que nada investiram, passam a repartir os lucros.

FHC cria a ANP – Agência Nacional do Petróleo, presidida pelo seu genro ivatista David Zilbersztajn. A ANP tem se mostrado a inimiga nº 2 da Petrobras. Atrapalha a empresa, cria fórmulas e dispositivos que a desfavorecem como a portaria nº 3 que a impede de se defender da inflação e da correção cambial. Dá 3 anos para a PETROBRAS pôr em produção os seus campos em águas profundas, enquanto estabelece o prazo de 8 anos para as demais concorrentes. “E dá outras nocivas providências”.

Obriga a empresa a apelar para parcerias. Áreas onde ela investiu pesado, correu todos os riscos e desenvolveu tecnologia, é obrigada agora a dividir os lucros com aquelas empresas que não quiseram correr os riscos. É como se a PETROBRAS comprasse um bilhete premiado e fosse obrigada a repartir o prêmio, recebendo só a metade do valor da compra do bilhete.

1998

Corte nos investimentos. Impede a emissão de debêntures para obter recursos para investimentos. Libera a importação de equipamentos sem IPI e ICMS para multi nacionais.
Proíbe tomar empréstimo no exterior (a 6% ao ano). Impasse na negociação salarial (continua até hoje).

Em plena Copa do Mundo a ANP retira mais 35% das áreas escolhidas pela PETROBRAS, restando para ela apenas 7,1% do total.
ANP emite a Portaria nº 3 que impede a Petrobras de se defender da desvalorização do real e da inflação.

Ocupação

Em 1998, seis empresas ocupam o 12º andar do EDISE (duas delas comandaram a privatização da YPF Argentina – Merryl Linch e Gaffney Cline) – para examinar minuciosamente todos os dados da PETROBRAS.

Neste mesmo ano, promove o corte de um bilhão nos investimentos. Novas paralisações em projetos e atividades importantes. Só a revisão do orçamento promove uma paralisação de mais de três a seis meses na Petrobras. Técnicos das áreas mais cruciais param os seus serviços para analisar e priorizar os cortes. É uma das piores armas de FHC contra a empresa. Projetos de alta rentabilidade vão se tornando inviáveis com as paralisações.

Garrote

Proíbe a empresa de tomar recursos no exterior a juros civilizados, impede-a de emitir debêntures para gerar recursos. Enquanto isto a ANP ameaça retomar as áreas que não produzirem em 3 anos da data da Lei 9.478.

Libera a importação de equipamentos com isenção de impostos pelas multinacionais, inviabilizando a competitividade dos fabricantes nacionais. Gera emprego no exterior e os extingue no País.

1999

Corte nos investimentos.

Delega ao Conselho de Administração o controle absoluto da empresa. Nomeia um conselho de raposas para isto, entre eles Jayme Rotstein, empresário fracassado, lobistas dos usineiros e suplente de senador na chapa derrotada do Roberto Campos e Pio Borges com 23 denúncias de improbidade administrativa no BNDES junto com Mendonça de Barros.
O governo corta novamente R$ 1 bilhão nos investimentos, nova paralisação na empresa. Promove um aumento brutal nos impostos da Petrobras. Alguns aumentaram até 4 vezes como o caso dos royalties. O pior é que sabemos que, se a Petrobras for privatizada, as Cinco Irmãs extinguirão os royalties como fizeram no Mar do Norte, na Índia e na costa da Califórnia, EUA. Alegam que a atividade em águas profundas é dispendiosa e arriscada, conseguindo com isto a revogação do royalty.

Rapinagem

O governo faz um decreto delegando ao Conselho de Administração o controle absoluto da PETROBRAS, modificando dois decretos existentes que davam essas atribuições ao governo.
O governo impede a Petrobrás (BR e Petros) de entrarem no leilão da CONGÁS. É mais uma ingerência ilegal e imoral na empresa.

Hélio Fernandes
Tribuna da Imprensa – 22/6/2004

PS – O artigo acima foi escrito pelo bravo Fernando Siqueira e publicado pelo “O Farol”, em 1999. Não tem uma linha deste repórter, apenas o espaço é meu. Mas como Fernando Siqueira, só defende o interesse nacional, em toda e qualquer situação, referendo e assino tudo o que ele escreve. Por que então escrever novamente?
PS 2 – E o recorte me foi enviado por Mario Lobo Cunha, outro bravo lutador, colaborador deste repórter, que mora em Porto Alegre. Minha participação é apenas a da divulgação do que FHC fez contra a Petrobras e o próprio pai. Ressalte-se: todo o mérito para Fernando Siqueira e Mario Lobo Cunha.”

Hélio Fernandes
Tribuna da Imprensa – 22/6/2004
extraído do site:
http://www.olobo.net/index.php?pg=colunistas&id=360&PHPSESSID=34bfd0971426469112ac06fbcfe

11/11/09

OUTRO APAGÃO TUCANO?

O apagão que deixou dez estados brasileiros e o Paraguai no escuro na noite de terça-feira (10) teve origem em função de condições adversas metereológicas, afirmou nesta quarta-feira (11) o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.


Zimmermann afirmou, em entrevista coletiva, que os problemas ocorreram em três linhas de transmissão, que recebem energia vinda da usina hidrelétrica de Itaipu (PR). As panes ocorreram em duas linhas que ligam as cidades de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP). E em outra que liga Itaberá a Tijuco Preto (SP).


Essa é a explicação oficial. Para o PIG: A CULPA É DA DILMA!!!! Essa é a estratégia traçada pelo PIG e que seus aliados na oposição irão dar andamento no congresso nacional.


Ocorre que, sendo verdadeira a explicação oficial, as duas linhas de transmissão que chegam a Tijuco Preto, bem como as duas subestações das quais partem essas duas linhas, pertencem à CTEEP. Como se vê no site da empresa:


CTEEP


A CTEEP é resultado da cisão de ativos da Companhia Energética de São Paulo (CESP), que se deu em fevereiro de 1999, em função do programa de privatização do governo paulista.

Em 2001, para fortalecer e racionalizar o sistema de transmissão de energia elétrica em São Paulo, a empresa, ainda estatal, incorporou a Empresa Paulista de Transmissão de Energia Elétrica (EPTE), resultante da cisão da Eletropaulo, também estatal à época. Com essa operação, a CTEEP se firmou como a principal concessionária de transmissão do estado de São Paulo.

Em 28 de junho de 2006, a empresa foi privatizada em leilão público promovido pelo Governo do Estado de São Paulo na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Com a aquisição de 50,1% das ações ordinárias (com direito a voto), o Grupo ISA, por meio da ISA Capital do Brasil S.A, tornou-se o novo controlador da CTEEP.


Com a palavra: Zé Pedágio, FHC, Agripino, Virgílio ...


Por Ricardo da Silveira Carvalho


22/09/09

O Bom Dia Brasil faz chamada para sinalizador de garagem, mas não para premiação internacional homenageando o presidente da República do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, ontem, o prêmio Woodrow Wilson de Serviço Público, em Nova Iorque. Mas o Bom Dia Brasil prefere, em sua chamada, destacar o incômodo dos daqueles sinalizadores nas garagens dos prédios. Não fez, na chamada, qualquer menção ao prêmio que recebeu o presidente da República, apenas noticiou rapidamente o fato no interior da programação.

16/09/09

Recuperação surpreende até Lula: 242 mil empregos em agosto

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto registrou a criação de 242.126 empregos formais no Brasil, informou nesta quarta-feira (16) o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número – um recorde para agosto desde que o Caged foi criado, em 1992 – surpreendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na segunda-feira previu a geração de 150 mil postos de trabalho.

Fonte: Caged / Ministério do Trabalho

O resultado representa um crescimento de 0,75% em relação ao estoque de empregos de julho, quando foram criados 138.402 empregos formais (veja o gráfico). Ao todo, foram 1,457 milhão de contratações e 1,215 milhão de demissões no mês passado.

Indústria agora emprega em massa


O setor que mais ampliou os postos de trabalho foi o de serviços com 85.568 novas vagas. Mas os serviços correspondem hoje a 62% dos empregos formais no Brasil; a indústria de transformação, depois de ter sido a responsável pelo tombo no emprego entre novembro e janeiro, foi o segundo setor que mais gerou empregos, com saldo positivo de 66.564 vagas. Em seguida vem o comércio com 56.813 postos e a construção civil com 39.957.

"O resultado de agosto superou todas as expectativas", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi ao fazer o anúncio, acrescentando que setembro será ainda melhor. Ele reafirmou a previsão de que 2009 vai terminar com mais de um 1 milhão de vagas criadas.

Lupi confirmou a previsão de que 2009 encerrará com mais de um 1 milhão de vagas criadas. Ele acrescentou que 2010 será o melhor ano do governo Lula em termos de emprego.

Segundo o ministro, a indústria ainda vai ter contratação muito forte porque os estoques estão baixos, já que o setor vinha sofrendo perda de demanda em meio à crise global. Outro impulso deve vir da construção civil, disse Lupi, lembrando que o programa "Minha casa, minha vida" para o setor começará a ganhar fôlego.

O grande tombo foi dezembro de 2008


Para Lupi, 2010 será o melhor ano do governo Lula em termos de emprego. Segundo o ministro, a indústria vai ter contratação muito forte porque os estoques estão baixos, já que o setor vinha sofrendo perda de demanda em meio à crise global. Outro impulso deve vir da construção civil, disse Lupi, lembrando que o programa "Minha casa, minha vida" para o setor começará a ganhar fôlego.

De janeiro a agosto, segundo os dados do ministério, foram criados 680.034 postos de trabalho. O número compensa a brutal destruição de empregos em dezembro de 2008, quando foram destruidos 655 mil postos de trabalho, com destaque para o setor industrial.

No acumulado de oito meses de 2009, a geração de vagas teve crescimento de 2,13% em relação ao estoque de postos de dezembro do ano passado. Nos 12 meses encerrados em agosto, foram criadas 328.509 vagas – número deprimido devido ao tombo de dezembro.

Da redação, com agências

Vermelho

09/09/09

Dez anos mais noventa dias: é tempo suficiente

“Enganaram-nos uma vez, mas da segunda não. A hora é agora, não depois da eleição”
Rogério Mattos Costa(*)
Nesses tempos bicudos, de tucanos e demos nervosos, a sacudirem seus penachos, tridentes, chifres e pés de bode frente à mudança das leis sobre o petróleo brasileiro, nada melhor que usar o bom senso.
Vamos lá, então, usar o bom senso e responder à pergunta: é pouco tempo o prazo de noventa dias, estabelecido pelo rito da urgência constitucional, usado pelo presidente Lula para pedir ao Congresso Nacional que aprove ou rejeite as novas Leis do Petróleo?
Queixam-se demos e psitacídeos que noventa dias é muito pouco para os representantes do povo brasileiro no congresso dizerem se são a favor que a Petrobrás , que descobriu a gigantesca reserva de petróleo do pré-sal, explore o petróleo que está lá embaixo.
Ou então, se acham que é mais adequado deixar que americanos e ingleses o retirem de lá, levem-no embora e paguem-nos apenas trocados em “royalties” e impostos.
O estelionato eleitoral de FHC: como foi que acabou o monopólio da Petrobrás.
Em 1997, demos e tucanos também aprovaram, à “toque de caixa”, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, as leis que acabaram com o monopólio criado por Getulio Vargas.
Vale lembrar que eles conquistaram maioria no congresso graças ao golpe que foi “a decretação do dólar a um por um com o real”, valor mantido artificialmente com um empréstimo de 31 bilhões de dólares do FMI, a juros de 26%. Um montão de dólares que o Banco Central vendia no mercado, quando o dólar subia, para forçar a baixa. Até a eleição passar...
Empréstimo que apenas recentemente, acabamos de pagar, mas que rendeu a eles na época, a eleição do presidente FHC.
E rendeu de quebra, a maioria no congresso com a qual aprovaram rapidamente, a venda não só os campos de petróleo sob as águas territoriais brasileiras, mas o minério do subsolo, as linhas e centrais telefônicas e elétricas.
Um golpe que faz com que hoje o povo brasileiro pague uma das mais altas tarifas desses serviços em todo o mundo.
Vale lembrar também que, para poderem ganhar essa maioria demos e tucanos não disseram, antes das eleições, ( como Lula está fazendo agora ), que se eles ganhassem, as leis iriam mudar para permitir vender empresas e riquezas do estado brasileiro.
Ganharam a eleição escondendo do povo brasileiro suas verdadeiras intenções. E portanto mentindo ao povo, para roubar suas riquezas.
Isso foi estelionato, previsto no famoso artigo 171 do código penal.
Lembram dos cinco dedos que na televisão HC dizia que eram os cinco pontos de seu programa? Nenhum deles era a venda de empresas estatais.
E o prazo agora, será mesmo só de noventa dias?
Hoje demos e tucanos são minoria no Congresso.
Agora, alegam Suas Excelências, “que precisam pensar melhor”, pois corremos o risco de não conseguirmos explorar o pré-sal, pois “não temos tecnologia”, “não temos dinheiro”, “somos incompetentes”, “empresas estatais não funcionam”, etc,etc
Ou seja, DEM, PSDB e seus aliados do PPS usam os mesmos argumentos pró-Estados Unidos que usavam Carlos Lacerda e a UDN, partido foi o antecessor da ARENA, do PDS, do PFL e agora dos DEMOS.
A UDN era um partido americanófilo e golpista, que abrigava políticos financiados e eleitos com um enorme Caixa Dois Único, através de dois “institutos” chamados IBAD e IPES, mas com origem na representação da CIA no Brasil, situada na embaixada dos Estados Unidos da América do Norte, no Rio de Janeiro. Vale à pena pesquisar na internet por esses nomes e siglas.( Leia Mais)
Esses fatos foram todos provados por uma CPI, presidida pelo então jovem deputado Ulysses Guimarães e cujos resultados foram arquivados a força pelos golpistas de 64.( Leia mais)
Faz dez anos que esse modelo de exploração do petróleo por concessões, aprovado a toque de caixa por suas Excelências aí está.
Mas será que esses dez anos e ainda mais noventa dias é pouco tempo?
Será que não deu para ver que se não fosse a Petrobrás, nos últimos anos, ter investido 240 milhões no pré-sal, essa riqueza teria ficado lá embaixo, guardada talvez para que aquelas empresas que financiam suas campanhas eleitorais, o achassem mais tarde?
Faz já dez anos que Vossas Excelências tiveram a oportunidade, por meio de um estelionato eleitoral, de implantar esse modelo perverso, onde o Brasil leiloa parte de suas águas territoriais para os estrangeiros procurarem petróleo e se quiserem, explorá-lo ou se não quiserem deixarem o poço lacrado, devolverem metade do campo leiloado, deixando ao Brasil, apenas migalhas.
Será pouco tempo, dez anos?
Ou será que em dez anos, suas excelências não “não tiveram tempo para pensar” se esse modelo “era bom” ou se “era ruim” porque, para Vossas Excrescências, esse modelo atual é muito bom.
Ou melhor, é ótimo, pois é ótimo para aqueles que pagam suas campanhas, exatamente para que Vossas Senhorias sejam reeleitos e garantam no Congresso, que fique tudo como está?
Mas se para Vossas Excelências dez anos foi pouco, para a nossa Petrobrás, foi tempo suficiente.
Para a nossa Petrobrás, que os senhores quiseram desmontar para vender aos pedaços, mudando até o nome, para Petrobrax, e que chamavam de “ultimo dinossauro da Era Vargas”, como disse seu líder Fernando Henrique Cardoso quando era presidente, esses dez anos foi mais do que suficiente.
A Petrobrás que os senhores queriam vender como um traste velho, fez o seu dever de casa: investiu bilhões e não só levou o Brasil à auto-suficiência, mas descobriu e mapeou uma das maiores jazidas de óleo leve do mundo, de excelente qualidade, que é mais difícil de explorar porque fica mais fundo..
Mas que todos os estudos dos especialistas de verdade, de dentro e de fora do país, dizem que compensa investir e retirar por nossa conta.
Mas atenção senhores: eu me refiro aos especialistas de verdade e não aos “especialistas de aluguel”, que falam aquilo que o chefe de reportagem da emissora mandou o repórter gravar com alguém que tenha cara de estudioso, com jeito meio maluco, na frente de uma estante cheia de livros, para compor um cenário apropriado.
E para disso, nesses anos a nossa Petrobrás tornou-se reconhecidamente “a campeã” das águas profundas, tornando nosso país auto-suficiente e exportador de petróleo.
Já nos enganaram uma vez. A segunda, não! A hora é agora, antes da eleição!
Agora está aí o caso, nas mãos de Vossas Excrescências. Já passaram dez anos. O modelo de concessões já foi suficientemente testado. E não funcionou.
Os seus amigos, das empresas estrangeiras, que vossas Excrescências tanto defendem e com quem tanto se preocupam, não descobriram quase nada de petróleo novo no Brasil. Nem investiram quase nada. Quem investiu foi a nossa querida “dinossaurinha”, que seu governo, de FHC, quando pode, queria vender, queria entregar. Leia mais aqui:
A Petrobrás investiu e achou.
Se ela achou, é dela.
E achado não é roubado, senhores!
Ou Vossas Excrescências querem que o pré-sal que a Petrobrás achou, seja de outros, dos seus amigos, que pagam suas campanhas eleitorais através das empreiteiras e fornecedores que trabalham para eles ?
Se quiserem, votem assim como desejam, Excelências.Votem a favor das empresas estrangeiras! Fiquem à vontade para fazer isso. Mas façam.
Nós estaremos vendo e ouvindo suas idéias, vontades e pareceres, mas não as guardaremos mais conosco: suas palavras estarão todas na internet, em milhares de sites e de blogs, que suas excrescências não conseguirão calar nem dominar, como dominam a imprensa desse país.
E como querem fazer agora, com a nova lei da Internet que o Senador Azeredo, tucano e o Senador Marco Maciel, vice presidente do tempo da ditadura, querem aprovar de qualquer maneira.
Nós, os brasileiros, aos milhões, estaremos de olho em Vossas Excelências, acompanhando atentamente a opinião de cada um dos senhores.
Principalmente, a forma como suas excrescências emplumadas e chifrudas, votarão no congresso.
E como numa corrente, transmitiremos a outros brasileiros o seu comportamento. A punição ou a reeleição estão ao alcance da mão, senhores deputados e senadores.
Vossas Excelências não queriam derrubar o Senador Sarney da presidência do Senado, para “moralizar a Casa”? Então aí está a grande oportunidade de moralização. Será o povo, soberano, com seu voto, que irá moralizar o senado e não Vossas Excelências.
Por isso a hora da decisão sobre a lei do petróleo é essa e não poderia ser melhor!
E não depois que estiverem confortavelmente sentados em suas novas cadeiras, com novos mandatos, com mais 8 e 4 anos de mandatos novinhos...
A hora é exatamente agora! É exatamente essa! Por isso Lula é um excelente político.
E não depois que cobrarem-se as propinas adiantadas, tendo os subornados quatro anos ainda para o povo esquecer como votaram.
Por isso, um refrão se ouve cada vez mais forte, quando existem atos públicos sobre o pré-sal:
“Nos enganaram uma vez.
Da segunda, não.
A hora é agora,
antes da eleição!”
Pensem bem, senhores, no que vão fazer. E em como querem que seus filhos e netos se lembrem de vocês.
Dez anos e noventa dias são 3740 dias! É tempo mais do que suficiente para vocês pensarem e nos dizerem se são a favor ou contra o seu país.
Pensem bem: são a favor do povo mais pobre, dos remediados e até mesmo dos brasileiros ricos, que precisam dos recursos do pré-sal para assegurar uma nova qualidade de educação, de atenção com o meio ambiente e de vida. Ou sua maior preocupação é o que dirão as empresas estrangeiras de petróleo que cobiçam o pré-sal?
Precisamos de uma nova e verdadeira Independência, senhores! E então? Podemos contar com seus votos?Estarão conosco ou contra nós?

(Rogério Mattos Costa, 56, é carioca, jornalista, reside em Madrid)

28/08/09

Folha, omissão e manipulação

Por Maurício Caleiro

Três episódios de extrema gravidade, analisados em detalhes neste Observatório, marcaram a conduta do jornal Folha de S.Paulo este ano: o emprego do neologismo "ditabranda" em editorial, para se referir ao regime militar que vigorou de 1964 a 1989; o ataque verbal do diretor de Redação Otavio Frias Filho aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato; e, pior, a utilização de ficha policial falsa da ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, em matéria sobre um sequestro que nunca ocorreu – resultando no que a professora de Jornalismo Sylvia Moretzsohn, neste mesmo OI, classificou como "um dos casos mais graves da história recente do nosso jornalismo – ou, pelo menos, um dos casos mais graves tornados públicos".
Nascido como denúncia nas próprias páginas da Folha, o "caso Lina Vieira" talvez mereça figurar nessa lista que documenta a decadência de um dos órgãos de imprensa que um dia encarnou as esperanças de aprimoramento das posturas jornalísticas no país. Tal dúbia glória deve-se não apenas aos detalhes do caso, que pouco a pouco vão sendo revelados e suscitam suspeitas de que se trate de uma grande armação, mas, de forma indubitável, à cobertura que o jornal vem dispensando ao assunto.
A edição da Folha de terça-feira (19/8), que abordou o depoimento da ex-secretária da Receita Federal à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foi particularmente questionável, por apresentar omissões gritantes e por adotar, uma vez mais, uma série de procedimentos jornalísticos inaceitáveis num órgão que se pretende pluralista.
"Não me senti pressionada"
"Não é o primeiro episódio na história recente do país em que um clima de escândalo sobe a uma temperatura máxima, alimentado por fatos que são o centro das atenções políticas por semanas até que sumam no ar como fumaça. Nesse caso, depois do depoimento de Lina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, anteontem, e de inúmeros indícios apontados por apoiadores e detratores, a pergunta que vem à cabeça dos acompanhantes mais atentos da cena política é: qual é mesmo o crime?" – perguntou, no jornal Valor, a editora de opinião Maria Inês Nassif.
É precisamente o que ocorre não apenas com o "caso Lina", mas com a cobertura a ele dispensada: atingiram um ponto tal que, antes de mais nada, convém lembrar qual é exatamente a acusação que paira sobre Dilma Rousseff. Ela teria se encontrado com a ex-secretária da Receita e pedido agilidade em inquérito contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney, este então sob a ameaça de ser deposto pela Comissão de Ética da presidência do Senado. Segundo declarara inicialmente, Lina interpretou o pedido como uma senha para arquivar o processo. Essa era a acusação inicial.
Porém, em seu depoimento ao Senado, a ex-secretária, não obstante ter confirmado o encontro – sem, no entanto, apresentar qualquer prova material ou indício incontestável de que este ocorrera –, negou ter interpretado o pedido de agilidade alegadamente feito por Dilma como senha para encerrar o caso: "Eu entendi, das palavras da ministra, que resolvesse logo as pendências, que desse celeridade ao processo, não me senti pressionada pela ministra"; e "a ministra disse para agilizar a fiscalização do procedimento contra o filho de Sarney, mas, de forma alguma, o pedido foi para não investigar o filho de Sarney. Foi apenas para dar agilidade", declarou ela.
Mas o leitor da Folha de S.Paulo no dia seguinte ao depoimento simplesmente não teve acesso a essa declaração. Todos os textos relativos ao caso – um editorial, uma coluna de opinião e a matéria jornalística em si – são apresentados sem levar em conta esse momento-chave do depoimento.
Omissão e distorções
Os problemas começam já no editorial, intitulado "Persiste a dúvida", que produz uma pérola de humor involuntário ao afirmar contraditoriamente que "o depoimento da ex-secretária da Receita, ontem no Senado, manteve todas peças no tabuleiro. Lina Vieira não trouxe elementos que provassem o encontro reservado que alega ter mantido com Dilma Rousseff, para tratar de uma investigação fiscal contra familiares de José Sarney".
O texto não deixa de trazer, no entanto, embutido em sua argumentação, as consequências dos desdobramentos do dia anterior e, significantemente, a impossibilidade de encaminhar a acusação pelo caminho anteriormente adotado – de alegada interferência de Dilma para ajudar Sarney: "A prática de realizar encontros reservados de governo não pode ser condenada por princípio (...). Pode-se argumentar, do mesmo modo, que um pedido feito por um ministro para `agilizar´ – desde que o sentido implícito não seja o de `encerrar´ – certo processo não configuraria falta grave". Então, em que resultaria o problema? Segundo o editorialista – em outro ato falho revelador – na "acusação, esta politicamente grave, de [Dilma] ter mentido".
Na outrora nobre página A2, a coluna de Fernando Rodrigues afirma que "quem acusa é Lina Vieira, integrante dos quadros do próprio governo. Não se trata de alguém da oposição, um de fora". Do ponto de vista jornalístico, há um problema gravíssimo nesse "argumento": ele não informa o leitor que o tal "quadro" fora demitido de uma alta função – a mais alta que alcançara em sua carreira – e que dera demonstrações públicas de contrariedade pela demissão. Omissão ainda mais grave, deixa de noticiar que Lina fora demitida alegadamente por ninguém menos do que a pessoa que ela agora acusa, Dilma Rousseff. Ou seja, a argumentação de Rodrigues depende da sonegação de uma informação essencial, que explicitaria motivação para uma vingança de Lina contra Dilma.
"Ou mentiu à Folha ou mentiu aqui"
O colunista também não foi capaz de – ou não quis – apurar outra suspeita de primeira ordem, contrária à tese que desenvolve na coluna, e que viria a público na mesma quarta-feira, sendo confirmada no dia seguinte no blog Entrelinhas, de Luiz Antonio Magalhães: a revelação de que o marido de Lina, Alexandre Firmino de Melo Filho, fora ministro da Integração Nacional durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso por quase um ano e, como sócio da agência de marketing político dois.a, tem ligações de longa data com a prefeita de Natal, Wilma de Faria (PV-RN) e com o senador Agripino Maia (DEM-RN), um dos líderes da ofensiva denuncista da oposição contra José Sarney (PMDB-AP) e, agora, contra Dilma. Convenhamos, para quem convive há tempos com o poder brasiliense e já foi um dos melhores repórteres investigativos do país, é uma sequência e tanto de "barrigas" – que põem por terra sua alegação de isenção funcional de Lina.
E há, por fim, o que deveria ser a matéria jornalística relativa ao depoimento na CCJ, intitulada "Lina vê `pedido descabido´ de Dilma e detalha reunião" e assinada por três repórteres. A única concessão que fazem é reconhecer que "a ex-secretária não levou provas nem forneceu a data da audiência". O resto da matéria reproduz falas de impacto de Lina – como "Não mudo a verdade no grito. Nem preciso de agenda para dizer a verdade. A mentira não faz parte de minha biografia" –, relata detidamente a atuação da bancada governista (mas se omite em relação à da oposição) e comete o ato falho de "entregar" que Lina reconhece que, no depoimento que dera ao jornal em 9/8, "apenas confirmou informações que a Folha apresentou a ela".
Utiliza-se, ainda, do pior truque empregado pelo jornal na cobertura: publica uma declaração que Lina dera anteriormente como se se tratasse de parte de seu depoimento ao Senado: "Na minha interpretação, o pedido de agilizar a fiscalização do filho do presidente Sarney foi para encerrar a fiscalização." Ou seja, exatamente o contrário do que ela afirmou aos senadores. Na CCJ, essa mesma contradição entre o que ela havia dito ao jornal antes e o que declarou aos parlamentares foi sublinhada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que interveio: "A senhora já disse a vários senadores que não entendeu [a ordem de Dilma] como pressão. Ou a senhora mentiu para a Folha ou a senhora mentiu aqui."
Acusação sem bases
Porém, esse é um caso em que, desde o início, foi invertido o princípio básico do Direito segundo o qual o ônus da prova cabe ao acusador. Mesmo Lina tendo sido incapaz, em cinco horas de depoimento à CCJ, de produzir uma prova sequer de que o encontro ocorrera, a personagem suspeita de mentir, é, para a Folha, Dilma. Não só o já citado editorial explicita isso, mas o título da coluna de Fernando Rodrigues faz ilusão à ministra: "A mentira como imagem". O colunista Elio Gaspari, em outra ocasião, vai mais longe e, proclama, baseado em não se sabe em quê, que "a ministra Dilma Rousseff tem uma relação agreste com a verdade". Se o caro leitor entendeu o que o historiador revisionista quis dizer, por favor, nos informe.
O governo, por seu lado, nega de forma peremptória a ocorrência do encontro. Não só o de ordinário recluso secretário de Comunicação Social, Franklin Martins, deixou-se entrevistar por jornalistas em Rio Branco (AC) para renegá-lo, uma vez mais, mas o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a liturgia do cargo e desafiou Lina a provar o contrário. Para Ricardo Kotscho, que precedeu Martins na função, o maior erro cometido pelo governo até agora teria sido "entrar na da mídia" e sair a público para desmentir o encontro – e não só porque, como já citado, caberia aos acusadores provar que ele de fato ocorreu, mas porque a atitude defensiva do governo lançou suspeitas e reinflamou o debate.
Luis Nassif, no entanto, vê o caso por outro ângulo e recoloca uma questão essencial: "E se o encontro não ocorreu? Dilma deveria endossar metade da mentira [de Lina] para desqualificar a segunda metade, de que teria feito pedidos indevidos à ex-secretária?" Figuras-chave do governo se exporiam dessa maneira e viriam a público asseverar a inexistência do encontro e desafiar Lina a provar sua ocorrência se não tivessem a certeza de que ele não ocorreu? Não se sabe a resposta para estas perguntas, mas é importante registrar que o leitor da Folha não as encontra no jornal, a não ser na forma de acusação afirmativa e unilateral sem bases que a comprovem.
Tratamento diferenciado
Como se vê, o "caso Lina" tem ramificações várias e é mais complexo do que à primeira vista aparenta. Outra questão essencial que permanece sem resposta é por que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nomeou para secretária da Receita Federal – um cargo de confiança e estratégico, inclusive do ponto de vista da segurança institucional – a esposa de um ex-ministro de FHC e político ligado ao DEM, contra o qual a Procuradoria da União move ação por suposto desvio na Sudam, cujo rombo total chega a R$2 bilhões?
Uma consulta ao banco de dados da Folha de S.Paulo revela que Lina Vieira recebeu, durante sua gestão de menos de um ano à frente da Receita Federal – e notadamente logo após ser demitida –, tratamento diferenciado por parte do jornal em relação ao que o diário comumente dispensa ao segundo escalão do atual governo: criou-se a imagem de uma secretária eficiente, diligente na defesa de interesses corporativos e disposta a combater, como nunca antes neste país, os grandes sonegadores.
Interrogar a razão de tal tratamento face às práticas jornalísticas questionáveis que marcam a cobertura que a Folha faz do "caso Lina" pode vir a ser uma linha de investigação interessante sobre as ligações entre o jornal, o poder e a oposição.

Publicado originalmente no Observatório de Imprensa

04/08/09

Os interesses econômicos que sustentam o golpe em Honduras

Carta Maior

Honduras tem muito petróleo, conforme mostraram as prospecções feitas por uma empresa norueguesa há um ano, a pedido do presidente Zelaya. O presidente deposto acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela. O projeto de Zelaya para a nova Constituição previa que os recursos naturais de Honduras não poderiam ser entregues para outros países. O artigo é de Frida Modak, ex-secretária de imprensa do presidente Salvador Allende.


Completou-se um mês do golpe de Estado em Honduras e, como em toda a ditadura, se mantém o Estado de Sítio, as garantias individuais existem só no papel e os poderes Legislativo e Judiciário são um apêndice do regime de fato. Os hondurenhos, assim como a quase totalidade dos povos latinoamericanos, já viveram essa realidade antes e a rechaçam.

A comunidade internacional também rechaçou o golpe de 28 de junho e adotou acordos claros de condenação aos golpistas, demandando a restituição em seu cargo do presidente constitucional Manuel Zelaya. Mas as coisas já não são tão claras nem categóricas e os motivos são alheios aos interesses do povo hondurenho e dos latinoamericanos em geral. Da mesma maneira, as justificações dadas pelos golpistas não são verdadeiras porque o golpe serve aos interesses do grupo de poder encabeçado pelo ex-vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, cujos operadores há tempo pululam pela região e buscam infiltrar-se nos governos.

O grupo de Cheney, do qual são parte também os Bush, se interessa fundamentalmente no petróleo, por isso invadiram o Iraque e o Afeganistão, avançaram contra o Irã e tentam derrubar o presidente Hugo Chávez, fazem o mesmo com Evo Morales, atacam o presidente equatoriano Rafael Correa e desejam o petróleo cubano da zona do golfo do México.

Honduras tem muito petróleo, como disse Gerardo Yong no dia 19 de julho. As prospecções foram feitas por uma empresa norueguesa há um ano, convocada pelo presidente Zelaya que, como já foi informado, acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela.

A empresa norueguesa que fez as prospecções e as financiou, entregou um relatório ao governo de Zelaya e ficou com uma cópia que pode negociar com empresas que estejam interessadas na informação sobre essas reservas. Para além disso, porém, e isso se sabia, se fosse aprovada a consulta destinada a determinar se deveria ser instalada a quarta urna nas eleições de novembro, na qual se votaria sim ou não à convocação de uma Assembléia Constituinte, o projeto de Zelaya na eventual nova Constituição era estabelecer que os recursos naturais do país não poderiam ser entregues para outros países.

Em conseqüência, o pretexto para o golpe de Estado foi a consulta sobre a quarta urna, mas o objetivo foi evitar que se pudesse ditar uma Constituição que impedisse apoderar-se do petróleo hondurenho. Nessa conspiração, estiveram Otto Reich e sua “fundação” Arcadia, e o embaixador estadunidense em Honduras, Hugo Llores, nomeado pelo governo de Bush e Cheney. Mas também participaram do complô os donos dos meios de comunicação, porque se estimava que a nova Constituição deveria promover uma distribuição igualitária do espectro radioelétrico, garantindo a participação dos grupos comunitários. Daí a desinformação que sai hoje de Tegucigalpa.

As mediações

Na reunião da Assembléia Geral da OEA, realizada em São Pedro Sula, Honduras, viu-se que a secretária de Estado dos EUA não gostou da intervenção do presidente Zelaya em defesa da revogação da expulsão de Cuba desse organismo. Dado o escasso conhecimento da sra. Clinton sobre a América Latina e estando ela rodeada de funcionários do “establhisment” e de outros mais perigosos, como John Negroponte, sua reação ao golpe hondurenho foi superficial, assim como foram vagos os comentários iniciais feitos pelo presidente Obama.

Quando toda a América Latina e o Caribe, a Assembléia Geral das Nações Unidas e a União Européia já tinham condenado categoricamente o golpe e pediam a restituição de Zelaya, os EUA modificaram seu discurso e o Departamento de Estado propôs a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, em um contexto que pedia, na verdade, o cumprimento dos acordos das entidades internacionais. Arias, que não foi “o” pacificador da América Central, porque foram muitos, e que recebeu um prêmio Nobel da Paz destinado originalmente a Costa Rica por ser um país sem exército, aceitou a mediação e entregou uma proposta que foi rechaçada pelos golpistas porque defendia a restituição de Zelaya na presidência. Então, elaborou outra fórmula, que satisfaz melhor os interesses estadunidenses, na medida em que converte Zelaya em uma figura decorativa e antecipa as eleições de novembro, com o que se passa um borrão, zera-se a conta, e o golpe de Estado desaparece em um passe de mágica.

Esta segunda proposta tropeça no mesmo obstáculo; o regime de fato sequer aceitou a restituição de Zelaya no cargo de presidente e deu início a uma farsa mediante a qual “consultarão” os outros poderes. O Legislativo se reuniu e tratou de vários pontos da proposta, menos o relativo à restituição do presidente. O poder Judiciário tampouco aceitou esse ponto, sobretudo pelo fato de que o presidente da Corte Suprema já reconheceu que ele também poderia ocupar a presidência de acordo com a “Constituição”, justificando o golpe como “um caso de necessidade”.

Neste contexto, o secretário geral da OEA buscou outros mediadores: os ex-presidentes Ricardo Lagos, do Chile, e Julio Maria Sanguinetti, do Uruguai, aos quais se somaria o peruano Rafael Pérez de Cuellar, ex-secretário geral da ONU. Ao escrever estas linhas ainda não havia sido formulada a idéia, mas outra equipe mediadora implica dar mais tempo ao regime de fato e, com isso, pode-se terminar avalizando a trapaça para chegar às eleições de novembro ou antecipá-las, deixando o golpe de Estado no limbo.

Os golpistas

Como se tornou visível, os golpistas vivem em um passado muito passado. Quando se reuniram no Congresso para “substituir constitucionalmente” a Zelaya, a sessão parecia com a de uma confraria de séculos atrás, com todo um cerimonial que já não é empregado em parte alguma. Seus chanceleres dão uma idéia do segmento social que representam. Ortez, o primeiro deles, retratou a todos quando disse a respeito de Barack Obama: “esse negrinho não sabe onde fica Tegucigalpa”. Mudaram-no de lugar, mas quando foi falar do secretário geral da ONU, repetiu a dose: “esse chinesinho que não me recordo como se chama”.

Ortez já está em sua casa, mas por ser imprudente e não porque suas palavras não representem o pensamento da soberba oligarquia hondurenha que tomou o poder, entre os quais há muitos com aparência de “negrinhos” e “chinesinhos” que não se vêm a sim mesmo como tais, mas sim ao povo que desprezam. Portanto, o desafio que representa a reação popular ao golpe é intolerável.

O grupo golpista é liderado por Roberto Micheletti, um empresário do setor de transporte que fez fortuna. Nunca conseguiu que seu partido, o Liberal, o nomeasse candidato à presidência; perdeu em todas as oportunidades que tentou e tem a fama de homem bruto. Na Secretaria de Defesa dos Direitos da Mulher há três denúncias contra ele, sendo que nenhuma delas foi levada adiante pelo órgão.

Um dos incidentes ocorreu na reunião de seu partido que definiu o candidato presidencial do Partido Liberal para as eleições de novembro. Micheletti não só perdeu, como foi vaiado pelos assistentes. Como prêmio de consolação, deram a ele a presidência do Congresso e quando ia subir no palanque do encontro, uma jovem do grupo de protocolo, chamada Suyapa, pediu que ele esperasse um momento porque não tinham terminado de colocar as cadeiras. Irritado pelas vaias que havia levado, Micheletti desferiu um tapa na cara de Suyapa, causando-lhe um corte na boca.

Um mês de protesto popular

Desde o momento em que os hondurenhos se inteiraram do golpe de Estado, é preciso recordar que os meios de comunicação foram censurados, e os protestos têm sido permanentes. Os manifestantes estão na rua todos os dias e não estão dispostos a ceder. A imprensa dos EUA reconheceu isso e realizou pesquisas rápidas junto aos manifestantes. Eles responderam que Zelaya foi o primeiro presidente que havia se preocupado com eles e que com quem podiam falar sem termos sobre seus problemas e aspirações. O resultado dessas pesquisas foi publicado pelo Washington Post.

Em Honduras, que tem um pouco mais de 7 milhões de habitantes, a maioria é pobre, mas há cerca de 1,5 milhão que são absolutamente pobres. O governo de Zelaya começou a se ocupar dessa parcela da população através do programa Rede Solidária, coordenado pela esposa do mandatário. Para determinar o grau de pobreza, tiveram que fazer uma medição baseada em averiguar se comiam. E se a resposta fosse afirmativa, perguntar o quê e quantas vezes ao dia.

Também foi preciso estabelecer onde e como viviam, se era em casas, se essas casas tinham portas e janelas, se tinham algum serviço, porque não tinham trabalho nem endereço fixo. Cerca de 200 mil famílias já tinha sido incorporadas ao programa e, desde o início do golpe, não recebem ajuda alguma. Inclusive é possível que não alguns nem saibam o que ocorreu; outros saberão por causa da repressão.

No entanto, apesar do Estado de Sítio e do toque de recolher, aumenta a cada dia o número dos que chegam a El Ocotal, na Nicarágua, para somar-se ao acampamento daqueles que apóiam o presidente Zelaya, que se encontra ali, depois de ter ingressado em território hondurenho (e retornado). O presidente solicitou às Nações Unidas o status de refugiado e a ajuda correspondente a todos os que estão ali para acompanhá-lo, porque se regressarem a Honduras estão ameaçados com uma condenação a seis anos de prisão por “traição à pátria”, a qual, pelo visto, só pertence aos golpistas.

Ao longo desta semana, estão convocadas greves e muitas outras manifestações de protesto. A pergunta que fica é até que aponto podem seguir sendo ignoradas e reprimidas em defesa de interesses alheios e de um governo ilegítimo. Ainda mais quando essa manipulação aponta também para toda a América Latina e para as instituições criadas recentemente: Unasul, Mercosul, Alba, Petrocaribe, Banco do Sul, Grupo do Rio e alguma outra que me escapa agora, na medida em que priorizam os interesses da região.

Frida Modak é jornalista, foi secretária de imprensa do presidente Salvador Allende, no Chile.

Tradução: Katarina Peixoto

02/08/09

As duas caras de Pedro Simon

— O chefe da PF é o ministro Tarso, que é candidato ao Piratini. Isso está causando uma confusão, que não se sabe até que ponto é ou não é. Por que essas coisas, que já existiam, não apareceram há mais tempo? — questionou Simon, em entrevista à Rádio Gaúcha. Veja ao final a matéria.

A moral do senador Pedro Simon é bastante relativa. No sul ela é de um jeito, nas demais partes do país ela é de outro.

Simon, no Senado:

“Será um apelo dramático para que o presidente renuncie antes da reunião do Conselho de Ética”


O senador gaúcho já pediu a renúncia de Sarney na sessão 14 de julho. "Chegamos ao limite do mínimo da responsabilidade que nós podemos ter. Eu digo com a maior tristeza, com a maior mágoa. Nessa altura, não adianta o presidente Sarney se licenciar. Ele tem que renunciar à presidência do Senado. Ele tem que fazer o que os seus antecessores fizeram. Ele deve renunciar à presidência", defendeu Simon. No G1

Simon, no Rio Grande do Sul:

"E o Simon disse que me quer tranquila, que não vai me abandonar." Yeda Crusius, em seu twitter

"A governadora Yeda Crusius nos honra pelo seu trabalho", disse Simon.

Vazamento de falcatrua, quando envolve Yeda, não pode.

Simon responsabiliza Tarso por vazamento de gravações da PF

Diálogo entre assessora de Yeda Crusius e indiciada em operação é considerado suspeito

O senador Pedro Simon responsabilizou neste sábado o ministro da Justiça, Tarso Genro, ao qual a Polícia Federal (PF) está subordinada, pelo vazamento de gravações feitas pelo órgão. Neste sábado foram revelados diálogos entre Walna Villarins Meneses, assessora da governadora Yeda Crusius, e a indiciada na Operação Solidária Neide Bernardes. No inquérito, Walna e Neide falam sobre "flores", "arranjo", "bonsai" e "projeto de jardim" — expressões que a PF considera serem códigos para dinheiro. A revelação das gravações foi feita por Zero Hora na edição deste sábado.

Simon disse que as ações do órgão estariam causando "uma confusão". Lembrou que o petista é candidato ao governo do Estado em 2010 e perguntou por que informações contra o governo estão surgindo neste momento.

— O chefe da PF é o ministro Tarso, que é candidato ao Piratini. Isso está causando uma confusão, que não se sabe até que ponto é ou não é. Por que essas coisas, que já existiam, não apareceram há mais tempo? — questionou Simon, em entrevista à Rádio Gaúcha.

A Operação Solidária investiga suspeitas de irregularidades em licitações de obras de infraestrutura.

Requerimento para CPI

Reunida em encontro estadual na manhã deste sábado, na Assembleia Legislativa, a cúpula do PMDB gaúcho disse que os diálogos captados pela Polícia Federal (PF) não afastarão o partido do governo do Estado. A cúpula do PMDB também está decidida a manter a posição de não assinar o requerimento de CPI feito pela oposição para investigar suspeitas de irregularidades no Piratini.

O pedido já tem 17 das 19 assinaturas exigidas para criação da comissão, mas nenhuma de deputados do PMDB, que somam nove parlamentares. Dois integrantes da bancada estão entre os alvos da Operação Solidária da PF: Alceu Moreira e Marco Alba (licenciado para comandar a Secretaria Estadual de Habitação).

Desde que a proposta de CPI começou a circular na Assembleia, os deputados Nélson Härter e Alexandre Postal foram os únicos do PMDB a considerar a possibilidade de apoiar o pedido, desde que fossem apresentados fatos novos em relação ao governo.

Simon se declarou, porém, a favor de uma CPI para investigar operações contábeis da Petrobras que permitiram a redução de impostos pagos pela estatal. A CPI mista, proposta pelo PSDB, deve ser instalada nos próximos dias no Congresso.

Foco em órgãos do RS

Em 2007, pouco depois da deflagração da Operação Rodin, da PF, Yeda já tinha estranhado o foco da PF em órgãos estaduais. Em meio a um encontro regional do PT em Palmeira das Missões, no norte do Estado, Tarso declarou que pretendia tomar conhecimento do conteúdo das declarações de Simon antes de fazer qualquer comentário sobre o assunto.

No entanto, em tom irônico, o ministro afirmou que "algumas coisas" nem merecem resposta. Simon desafiou a Procuradoria-Geral da República a mostrar as supostas fitas que conteriam flagrantes de negociação de dinheiro e caixa 2 entre integrantes do governo.

ZERO HORA

A política pequena no dia a dia

A pauta nacional também é feita de bobagens

Deu no Estado de Minas a respeito dos conflitos políticos em Minas Gerais. Mais parece uma piada de mau gosto que uma notícia política. São políticos que pensam e agem assim que jogam pedra no Sarney, num jogo político eleitoral que interessa aos que sempre mandaram no Estado e na mídia.
Prepare o estômago:
"
A mais de um ano das eleições, deputados da base aliada e secretários de estado do governo Aécio Neves (PSDB) travam uma disputa de espaço pelo interior de Minas Gerais que pode dar trabalho ao Executivo no segundo semestre. A busca por influência nas bases eleitorais coloca em conflito os parlamentares das regiões e os titulares das pastas que também serão candidatos à Câmara ou Assembleia em 2010. A insatisfação é tanta que deputados começaram a pressionar para que o secretários políticos antecipem a saída dos cargos – conforme a legislação eleitoral, para poder se candidatar, eles devem deixar as funções até 31 de março.

O quadro, que no fim do primeiro semestre era de tensão, tende a se agravar, e o governador chegou a fazer uma reunião com a equipe para tentar apagar o incêndio. Aécio pediu aos secretários que prestigiem os deputados e evitem fazer campanha em causa própria. Nos bastidores, a proximidade das eleições tem agravado a situação. O campeão das queixas é o secretário de Saúde, Marcus Pestana (PSDB), deputado estadual licenciado e pré-candidato a uma cadeira em Brasília. A secretária Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas, Elbe Brandão, que anuncia a intenção de deixar a política e colocar, em seu lugar, o marido, Luiz Henrique Santiago, é outro foco de conflito.

Parlamentares reclamam que os secretários estão invadindo seus redutos. Marcam solenidades ou entrega de verbas ou obras sem comunicar o deputado majoritário da região. Outra queixa é a dificuldade de conseguir audiências ou retorno dos secretários. Segundo um aliado, Pestana teria chegado a anunciar um novo serviço para um município sem lhe dar crédito, sendo que o parlamentar era o autor da demanda. A entrega de grandes volumes de ambulâncias sem capitalizar para os representantes da região é outra das principais reclamações. Parlamentares reclamam que, apesar de Pestana ter base eleitoral em Juiz de Fora, o secretário avançou por outras regiões, como Sudoeste e Norte.

Elbe Brandão teve problemas com a bancada do Norte de Minas na Assembleia. O porta-voz foi o deputado Arlem Santiago (PTB). Ele a acusou de cometer irregularidades em um programa estadual para favorecer o marido. Por essas e outras, há uma corrente de deputados pedindo a desincompatibilização dos secretários candidatos antes do fim de março. O temor, dentro do próprio governo, é de que o acirramento dos conflitos prejudique a candidatura majoritária do PSDB à sucessão de Aécio Neves. O deputado federal Júlio Delgado (PSB) vai além. Para ele, os parlamentares eleitos não deveriam ocupar cargo no Executivo. “Acho que tanto na área federal como na estadual tem quem use a pasta para valorizar seu nome, eles acabam investindo na autopromoção, vislumbrando sempre a eleição seguinte, e isso cria uma dificuldade, um constrangimento, dentro da própria base de governo”, afirmou.

Estrago Embora evite citar nomes, Delgado afirma que houve muito uso político no primeiro semestre, inclusive de investimentos frutos de emendas da bancada federal. “Chegou a ser abusivo e agora o estrago está feito. Só espero que a postura seja diferente, porque afinal somos parceiros”, diz o deputado, que já tratou do assunto com Aécio Neves. O líder da maioria na Assembleia, Domingos Sávio (PSDB), admite o problema, mas saiu em defesa dos secretários. No caso de Pestana, conforme o tucano, o problema está em gerir uma pasta com orçamento de cerca de R$ 4 bilhões e com repasses por meio de convênios. “É até certo ponto previsível pelo fato de o secretário ser candidato. Inevitavelmente acaba gerando ciúme de qualquer um que esteja lá, por mais que o secretário seja cuidadoso e chame o deputado majoritário nas regiões”, afirmou."

01/08/09

No governo Lula, EUA dá satisfação ao Brasil

...ao contrário do que acontecia no governo de FHC. Clique aqui e relembre uma das práticas vassalas do tucano.

Do IHU online

Enviado de Obama vai explicar a Lula acordo militar com Colômbia


O assessor de Segurança Nacional do presidente Barack Obama, general da reserva Jim Jones, desembarca segunda-feira em Brasília com a missão de mostrar que o acordo dos EUA-Colômbia não significará elevação substantiva do atual contingente militar americano no país e nem representará ameaça aos países da região. A viagem havia sido agendada bem antes da polêmica das bases, envolvendo os governos Álvaro Uribe e Hugo Chávez (Venezuela), mas a visita servirá para dar a versão dos EUA sobre a presença de soldados americanos em três bases na Colômbia até 2019.

A reportagem é de Denise Chrispim Marin e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 01-08-2009.

Na semana passada, o Itamaraty já havia recebido a informação oficial de Bogotá de que o acordo com os EUA é uma espécie de segunda etapa do Plano Colômbia, orientado para o combate à guerrilha e ao narcotráfico, e envolveria o investimento de US$ 5 bilhões no país.

A manutenção do plano de apoio dos EUA foi concebida após a decisão do Equador de não renovar o acordo que permitiu o uso, por dez anos, da Base de Manta por tropas americanas, que terão de se retirar dali em setembro.

Válido até 2019, o acordo EUA-Colômbia prevê a presença militar americana em três bases - Malambo, Palanquero e Apiay - e a possível extensão para outras duas, de Larandia e de Tolemaida. Em princípio, o acordo proíbe o trânsito das tropas americanas pelo território colombiano.

O governo brasileiro, entretanto, deixará claro a Washington que não quer presença militar estrangeira na América do Sul. A posição brasileira reflete o interesse do governo Lula em reforçar sua liderança regional e o seu temor de que a presença de tropas americanas contamine o processo de integração da região, cujo braço militar é o recém-criado Conselho Sul-americano de Defesa. A presença americana poderia, a rigor, motivar a parceria de países da região com outras nações.

Com amplo poder de orientação da política exterior de Barack Obama, Jones visitará Brasília entre os dias 3 e 5 de agosto com a missão de estreitar as relações bilaterais e de tratar dos imbróglios regionais.

Mas enfrentará a preocupação expressa publicamente pelo próprio presidente Lula e pelo chanceler Celso Amorim, anteontem, com a polêmica retomada da presença militar americana na Colômbia - o último país da região a aderir ao Conselho Sul-americano de Defesa.

INSATISFAÇÃO

O campo política e diplomaticamente minado em que o general Jones pisará na próxima semana foi aplainado nos últimos dois dias pelo general Douglas Fraser, chefe do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, em sua visita a Brasília. Fraser foi recebido, ontem e anteontem, pelos comandantes da Marinha, almirante Julio Soares de Moura Neto, e do Exército, general Enzo Martins Peri, e manteve contatos informais com o brigadeiro Juniti Saito, comandante da Força Aérea Brasileira e ministro-interino da Defesa, e com diplomatas. Nas conversas, a insatisfação do governo brasileiro foi expressa diplomaticamente, de forma a não comprometer as áreas de cooperação militar entre os dois países.

Com Jones, o diálogo será mais aberto e direto: a América do Sul quer resolver seus próprios dilemas, sem a interferência direta de terceiros países - especificamente, dos Estados Unidos. As explicações obtidas de Bogotá não amenizaram a preocupação do governo Lula de ver desmontada sua estratégia de consolidar na América do Sul uma zona integrada e de paz, sob a discreta batuta de Brasília.

Ainda na administração de George W. Bush (2001-2009), quando o Plano Colômbia estava em curso, Lula conseguira o reconhecimento da Casa Branca de seu peso e eficácia na solução dos problemas regionais.

Washington acabou delegando ao presidente brasileiro tal incumbência, no plano diplomático. No final do governo Bush, com a decisão do Equador sobre a Base de Manta já tomada, o governo Lula deu um contorno mais ambicioso à União de Nações Sul-americanas (Unasul) ao articular a criação do Conselho de Defesa. A iniciativa disparava o claro recado de que, mesmo no âmbito militar, a América do Sul buscava uma posição integracionalista para se consolidar como zona de paz.

O caso das bases ganhou maior relevância porque o governo venezuelano de Hugo Chávez transformou a discussão sobre o assunto em uma espécie de contraponto à denúncia colombiana de que a Venezuela está armando a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com equipamentos importados oficial e legalmente por Caracas.

Estes analistas que aparecem na Globo...

Em tempos onde quem ameaça a democracia na américa latina são grupos de direita, raivosos, incapazes de conviver com a democracia, quando não estão no poder, a preocupação de alguns analistas é voltada para países como a Venezuela, onde o povo, em sua maioria, decide sobre o próprio destino, inclusive permitindo a reeleição, se julgar conveniente.

Um cientista político, professor da PUC-RJ, disse, em entrevista na Globo News, que "esta democracia plebiscitária", levada ao extremo, ameaça, no final das contas, a democracia em si, não pois não contribui para consolidar as instituições. Ou seja, o fato de o povo está decidindo, via plebiscitos, o destino ou as mudanças que deseja, não assegura a democracia.

No caso venezuelano - sempre referência neste assunto -, mesmo que o povo tenha optado por permitir a reeleição indefinidamente, seria um processo antidemocrático. O professor discorda totalmente da opção feita pelo povo venezuelano.

Vamos por partes. Democracia é, sim, quando o povo, em sua maioria, tem condições de decidir o seu destino. Decidir de verdade, não de mentirinha, como acontece na nossa experiência brasileira, onde as instituições de que fala o professor mais parecem as dependências privadas de casarões pertencentes a uma elite secularmente acostumada a privilégios.

O mecanismo da reeleição, aprovado na Venezuela, não é uma opção antidemocrática. O mesmo povo que concedeu a possibilidade de alguém que esteja no poder se candidatar, continua com o poder de tirar este alguém quando julgar conveniente.

O professor diz não concordar. Supomos que ele fosse venezuelano, que pudesse votar no plebiscito, e mantivesse esta posição. Diante do resultado, onde a maioria da população tenha ido numa direção contrária, seria democrático seguir a posição dele? Isto seria fortalecer as instituições?

O povo tem as instituições que merece. Instituições são erguidas da sociedade, não fora dela. Quanto mais madura, segura e ativa uma sociedade, mais chances de serem bem sucedidas terão suas instituições.

Alguns analistas acostumados a dar entrevista na TV Globo só existem para reforçar o que pensa a emissora. E prá isto, gente inteligente tem recorrido a todo tipo de subterfúgio para defender absurdos. Até por em dúvida as escolhas que uma população faz acerca do próprio destino. A livre escolha, tão cara a estes homens liberais, vale para uns casos, para outros não. O povo é lúcido, sempre foi lúcido, até eleger alguém de esquerda, com pretensões expansionistas (como se inclinações expansionistas fossem marcas apenas da esquerda).

O professor deveria se preocupar com os golpistas de direita que começam a se levantar na américa latina. Estes, sim, são motivos de preocupação. Não sabem viver com as opções da maioria, não sabem conviver com a democracia, a não ser que estejam no poder.

Isto, professor, é grave. Não esquente muito com países onde o povo continua tendo o poder de decidir, comente sobre outros onde este direito está sendo tomado.

30/07/09

A democracia está capengando. Esquerda terá que ser radical

A chamada “democracia eleitoral” dá sinais de esgotamento por todos os cantos do mundo. A democracia está atrofiada e precisa encontrar novas formas para rejuvenescer e que passam por uma participação mais efetiva da sociedade através dos movimentos sociais, mas também pela radicalização das propostas. A esquerda necessita libertar-se do drama de fazer as reformas que a direita sempre quis fazer, para impor uma agenda que amplie e radicalize a democracia. O artigo é de Éric Aeschimann, publicado no Libération e traduzido pelo Cepat (Centro de Pesquisa e Apoio dos Trabalhadores).

Tradução do artigo de Aeschimann (16/02/2008), publicada na revista IHU Online.

Doença na democracia, nevoeiro nas urnas. É esse o efeito retardado de uma sucessão de escrutínios de resultados embaraçosos para a esquerda? Um movimento de humor diante da democracia liberal triunfal? Nova mania de alguns filósofos? Ou uma crise mais profunda? O fato está aí: a democracia, em todo o caso na sua forma eleitoral, está mal de saúde e os intelectuais vêm à sua cabeceira. Certamente para se perguntar pelo significado deste ataque de febre. Outros, mais radicais, para afirmar que, num mundo mais complexo e mais desigual que nunca, o sistema representativo não permite mais que a grande maioria participe da tomada de decisão coletiva e que se faz necessário se perguntar pelos próprios fundamentos.

Punir os eleitos. Primeiramente, a constatação. Ela atravessa clivagens políticas. Vindos da esquerda antitotalitária, os historiadores das idéias soam o alarme. “A democracia eleitoral incontestavelmente erodiu”, escreveu Pierre Rosanvallon no final de 2006 em La Contre-Démocratie [A contra-democracia]. Próximo da segunda esquerda, ele descreveu as diversas formas da “desconfiança” democrática, da “democracia negativa”: abstenção, manifestações, vontade de vigiar e punir os eleitos. Na introdução do primeiro volume de L’Avènement de la démocratie [O advento da democracia], que apareceu no outono, seu colega Marcel Gauchet prefere falar de “uma anemia galopante”, de uma “perda de efetividade” que ele atribui a uma “crise de crescimento” de grande amplitude. A ironia quer que essas análises se desenvolvam num momento em que, praticamente em oposição ao campo de batalha intelectual, a crítica da “democracia formal”, tão velha quanto o marxismo, conhece uma segunda juventude.

Testemunhando o inesperado sucesso do pequeno ensaio do filósofo Alain Badiou, De quoi Sarkozy est-il le nom ?, verdadeiro ataque da lei das urnas. “Todo o mundo percebe que a democracia eleitoral não é um espaço de escolha real”, escreve. Diante da “corrupção” das democracias pelas potências do dinheiro, teria chegado o momento de definir “uma nova prática daquilo que foi chamado de ‘ditadura’ (do proletariado). Ou ainda, e é a mesma coisa: um novo uso da palavra ‘Virtude’”.

Muitas vozes se levantaram – as de Bernard-Henri Lévy ou do crítico literário Pierre Assouline – para denunciar o retorno de uma retórica associada ao comunismo estalinista. Michel Taubman, diretor da revista Le Meilleur des Mondes, suspeito de complacência para com o pensamento da esquerda, mostra uma certa tranqüilidade: “Há trinta anos, na França, 20% da população denunciava a democracia burguesa e acreditava na ditadura do proletariado. Vivemos com isso. Na realidade, esses intelectuais radicais não representam ninguém, porque, hoje, mesmo Besancenot defende a democracia eleitoral”. Portanto, que na França a discussão tome um aspecto tão enérgico não é casual. “Os franceses são, no contexto europeu, os mais pessimistas em relação à democracia e seus representantes”, nota Stéphane Rozès, diretor do Instituto CSA. A crise, diagnostica, é “espiritual” e ratifica o discurso da impotência dos políticos diante da mundialização.

“Impotência”. Abstenção nas eleições presidenciais de 2002, vitória do ‘não’ à Constituição européia, “flechadas” tão bruscas quanto as efemérides pela Ségolène Royal depois François Bayrou, participação massiva na consagração de Nicolas Sarkozy, escrutínios locais transformados em ‘défouloirs’, a bússola fica desnorteada. Nem as extravagâncias sarkozianas nem a ratificação do mini-tratado europeu deverão contribuir para restaurar a confiança nas virtudes do voto. Algo para confortar Badiou, não enfastiado de constatar em seu livro: “A impotência era efetiva, mas agora ela é comprovada”.

“Os franceses não reprovam nos políticos a sua falta de proximidade, mas sua irresponsabilidade”, retoma Rozès, acrescentando que os franceses são tão mais sensíveis nisso quanto seu viver em conjunto não está fundado sobre a religião ou a etnia, mas sobre a partilha dos ideais políticos. Resta colocar-se de acordo sobre as causas da impotência democrática. Este é o desafio da reflexão engajada. Para Marcel Gauchet, o acontecimento de uma concepção hipertrofiada dos direitos humanos acabou por privar a coletividade de todos os meios de ação. Patrick Braouzec, deputado comunista de Saint-Denis, pensa, ao contrário, que “ao lado das eleições, pelas quais as pessoas se interessam muito, mas que constituem um momento específico, a democracia só pode atrofiar se ela não se apoiar também sobre uma democracia participativa e sobre o movimento social”. Um “movimento social” de contornos fluidos – manifestações de rua, apoio às crianças indocumentadas, operações midiáticas das Crianças de Don Quixote... – e que, levado ao extremo, lembra o título de um livro do filósofo John Holloway, em voga entre os altermundistas: Mudar o mundo sem tomar o poder [São Paulo: Viramundo, 2003]. Fazer política, acordos, mas fora das urnas.

O filósofo Slavoj Zizek, estrela do campus americano e habituado às brincadeiras provocadoras, vai ainda mais longe ao estimar que só “a violência popular” permitirá às classes desfavorecidas se fazerem ouvir nas democracias liberais. Zizek publica este mês na França uma coletânea dos “mais belos discursos de Robespierre”, precedido de uma longa introdução em que se pergunta como “reinventar um terror emancipatório”. Ícone da pop-filosofia, conhecida primeiramente por suas análises do cinema hollywoodiano, o homem é, portanto, o contrário de um nostálgico. Nos tempos do “socialismo real” lutou na Iugoslávia titista e participou dos primeiros passos da democracia eslovena. Sua radicalização parece mostrar que o desencantamento democrático não pode ser reduzido a uma exceção francesa.

“Arrogância ocidental”. É que, um pouco por todo o mundo, os processos de democratização conhecem malogros de diversas ordens que pioram a “promoção da democracia”, para retomar o vocabulário em uso na ONU desde os anos 90: o Iraque e o Afeganistão, mas também a Rússia onde Putin recupera o poder, a Argélia ou a Palestina onde os islâmicos viram confiscar suas vitórias obtidas pelas urnas. Ou ainda, o crescimento dos populismos na Polônia, na Dinamarca, na Bélgica. Até mesmo uma América que, para impor a democracia, não hesitou em transgredir os princípios elementares do direito. No número de janeiro da Revista Esprit, Pierre Rosanvallon apontava “uma certa arrogância ocidental e uma certa cegueira em relação à natureza e aos problemas da democracia”.


Tradução: Cepat

Fonte: Carta Maior

26/07/09

Veja e Arruda: Como a revista Veja vende suas páginas amarelas

Clique na imagem para vê-la em tamanho ampliada.


22/07/09

Mais uma irresponsabilidade da Folha de São Paulo

Que o jornal Folha de São Paulo atua como instrumento de luta política dos demo-tucanos, nós já sabíamos. Que participou dando apoio operacional aos repressores da ditadura, também fomos informados faz pouco tempo. Que jogava com a vida das pessoas, percebemos no caso da febre amarela. Para confirmar a que ponto chegou a turma do Frias, veja abaixo:

Se informe corretamente, vá ao site Viomundo

'Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade’

por Conceição Lemes

Domingo, 19 de julho, capa da Folha de S. Paulo:
Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses

Domingo, 19 de julho, caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo:

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Difícil o cidadão comum ler essas manchetes, e não se apavorar. Quem ainda tem na memória a epidemia midiática de febre amarela de 2008, é impossível não se indignar. Um verdadeiro crime contra a saúde pública foi cometido pela mídia corporativa. O pânico desencadeado pela combinação de má-fe e incompetência de grande parte da imprensa levou milhões de pessoas a se vacinar inutilmente e a correr riscos desnecessários devido aos efeitos colaterais. Duas morreram estupidamente.

Fazer política com notícias de saúde pode matar. E a julgar pela matéria de domingo passado sobre influenza A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína, parece que a lição não foi devidamente aprendida.

Ao descer os olhos pela reportagem descobre-se que:

A pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas. De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados.

Esses cenários estão na terceira versão do documento "Plano Brasileiro de Preparação para uma Pandemia de Influenza", publicado em abril de 2006 pelo Ministério da Saúde. Trata-se de um modelo matemático estático criado por epidemiologistas com base no perfil de pandemias anteriores.

Por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto.
É possível que alguns dos pressupostos contidos no modelo não valham para o H1N1, cujos parâmetros de transmissão e morbidade ainda não são bem conhecidos, como explicou Eduardo Hage, diretor de vigilância epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério.

Será que depois do terror da manchete e do primeiro parágrafo alguém da população em geral vai atentar para o restante?

Por que se usou 35 milhões na capa e 67 milhões na chamada interna? Se o jornalista acreditava tanto nos seus cálculos por que não expor aos leitores os dois números juntos? Receio de que o dado pareceria mais inverossímel tamanha a diferença? Ou ficar com os pés nas duas canoas, para uma desculpa estratégica?

Quantos da população em geral sabem um modelo estatístico não significa que isso vá ocorrer na prática?

Se o estudo não é específico para o vírus H1N1, por que forçar a barra? Ter chamada na primeira página? Ou algo mais por trás? Uma das hipóteses: tirar o foco de São Paulo e Rio Grande do Sul, estados governados pelo PSDB e onde há maior número de casos, e jogá-lo no governo federal, já a Folha é tucana-serrista.Que cuidados seriam então necessários para extrapolar o estudo de 2006 para a gripe suína?

Para colocar os pingos nos is, o Viomundo entrevistou o médico epidemiologista Eduardo Carmo Hage, diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde. É o mesmo citado na reportagem da Folha.

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Viomundo – Domingo, quando li na Folha Online que a pandemia de "gripe suína afetar até 67 milhões de pessoas nas próximas cinco a oito semanas", pensei na “epidemia” de febre amarela. Só que, agora, o terrorismo midiático pode levar a uma corrida aos hospitais. Por isso vamos direto ao x da questão: a reportagem da Folha procede ou não?

Eduardo Hage – Não. Há um erro capital na matéria, e o jornalista foi alertado. Mesmo assim, ele utilizou parâmetros do estudo para o vírus H5N1 [responsável pela gripe aviária] para calcular quantas pessoas poderiam ser infectadas pelo H1N1 [causador da gripe suína], quantas precisariam de cuidados médicos e quantas seriam internadas por complicações da doença. Os parâmetros utilizados pela Folha de S. Paulo são totalmente furados. Não têm base epidemiológica, estatística, científica. Foi um chute a quilômetros de distância do alvo.

Viomundo – O que realmente a Folha perguntou ao Ministério da Saúde?

Eduardo Hage -- O jornalista perguntou se estávamos trabalhando com algum modelo matemático como o feito para preparação da pandemia de H5N1 e se os parâmetros utilizados naquele modelo serviam para esta pandemia. Fui taxativo: o Ministério da Saúde, assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS), não estão trabalhando com modelo estatístico para essa pandemia.

Viomundo -- Por quê?

Eduardo Hage – Hoje, não existe nenhuma estimativa suficientemente válida para calcular a taxa de ataque, que o jornalista da Folha usa no texto dele. Existe somente um estudo realizado no início da pandemia em La Gloria, localidade pequena, isolada, no México. Qualquer estatístico com boa formação sabe que não dá para extrapolar esses dados para doença disseminada, como a influenza A. Portanto, por prudência, o Ministério da Saúde e a OMS não construíram ainda modelos matemáticos para a presente pandemia.

Viomundo -- O que é taxa de ataque?

Eduardo Hage – É o percentual de pessoas que vai se infectar pelo vírus entre aquelas sem imunidade contra a doença. São as pessoas suscetíveis. Suponhamos que num grupo de 100 pessoas suscetíveis 50 se infectem. A taxa de ataque seria de 50%. Também não há o dado sobre transmissibilidade. Ou seja, a partir de um caso, quantas pessoas poderão se infectar.

Viomundo -- O Ministério da Saúde não dispõe desse número?

Eduardo Hage – Nem nós nem ninguém. Não há nenhuma publicação válida hoje que forneça os parâmetros básicos para se construir um modelo matemático. Por isso ele não existe. Chamei ainda a atenção do jornalista de que as estimativas para H5N1 basearam-se nas pandemias de 1918, da gripe asiática e na de Hong-Kong, e que não eram válidas para esta pandemia de gripe.

Viomundo – Mas o texto dá a entender que sim, ressalvando que alguns pressupostos contidos no estudo do H5N1 podem não valer para o vírus da gripe suína.

Eduardo Hage -- Os parâmetros do estudo do vírus H5N1 NÃO VALEM para a gripe suína. Foi isso que eu disse.

Viomundo – Então a reportagem da Folha é furada?

Eduardo Hage -- Totalmente. Não há nenhum artigo em que o jornalista da Folha possa se sustentar para fazer os cálculos que fez. É pura ilação, sem qualquer base científica.

Viomundo – O que há por trás desses cálculos equivocados?

Eduardo Hage -- Eu espero que não seja a tentativa de gerar desinformação na população, como aconteceu na febre amarela, que você citou.

Viomundo – Traduzindo.

Eduardo Hage – Eu vejo duas tentativas de uso mal intencionado da informação. Primeira: a reportagem diz que até 4,4 milhões de pessoas precisarão ser internadas nas próximas cinco a oito semanas. Como os números, ao final dessa pandemia, estarão distantes dos mostrados, podem gerar desconfiança desde já: ou de que o Ministério da Saúde está omitindo ou vai omitir dados. Segunda: já que a pandemia pode atingir até 67 milhões de pessoas, será uma pandemia totalmente fora de controle. Ambas não tem base científica e não irão se sustentar.

Viomundo -- É possível estimar o número de pessoas que serão infectadas?

Eduardo Hage – Atualmente, não. É irresponsabilidade. Mas é possível afirmar, sim, que não serão os números da reportagem da Folha. Serão bem menores. Os próprios números da OMS mostram que não são suficientes para implicar em mudanças das medidas em vigor. Afinal, estamos tratando de uma gripe com características semelhantes à da gripe comum em relação à gravidade e à letalidade. Portanto, não tem sentido buscar identificar todos os casos de gripe pelo H1N1; não vai alterar em nada as medidas que o Brasil e demais países do mundo estão adotando. Discutir se serão 35 milhões ou 67 milhões de infectados é desviar o foco do que é realmente importante: identificar as pessoas que tem fator de risco para evoluir para a doença grave e oferecer atenção adequada e imediata para evitar a morte.

Viomundo – Ou seja, se todo mundo com algum sintoma gripal correr para os hospitais, eles ficarão sobrecarregados; em vez do foco das equipes de saúde estar voltado às pessoas com maior risco, a atenção se dispersará; aí, sim, mais pessoas podem morrer. É isso?

Eduardo Hage – Exatamente. Como tirar de uma fila de atendimento de 100, 200, 400 pessoas aquelas com fator de risco de ter a doença na sua forma grave? Não tem como, a não ser examinando todas. E essa demanda excessiva pode fazer com que pessoas com maior risco, não sejam atendidas e hospitalizadas rapidamente. Mais de 95% dessas pessoas vão ter gripe comum, que não precisa de atendimento em hospital de referência. Por isso, a orientação do Ministério da Saúde é esta. Está com sintomas de gripe? Procure o médico da unidade de saúde mais próxima, de posto, do programa de saúde da família, do convênio ou o seu particular.

Viomundo – Raramente a gente vai ao médico quando tem gripe. No caso da gripe suína, como fica?

Eduardo Hage – O ideal é que você procure o médico sempre que tiver febre ou algum sintoma de doença infecciosa. Às vezes algum sinal de agravamento pode passar desapercebido para a própria pessoa. Por exemplo, falta de ar, que é o sintoma mais importante da gripe A. À vezes só “escutando” os pulmões, o médico identifica a pneumonia. Já tem casos que somente vão dar sinais quando a doença estiver avançada. Mas por meio do exame clínico ou, quando necessário, do raio X, se consegue identificar a pneumonia e definir que tipo de tratamento o paciente precisa. Hospital é para quando há agravamento de caso ou fator que favoreça.

Viomundo – O Ministério tem reiterado que os sintomas da gripe comum, sazonal, são os mesmos da Influenza A, a gripe suína. Não dá mesmo para distingui-los?

Eduardo Hage – Não. Por isso, você tendo febre alta (acima de 38º), indisposição, tosse ou dor de garganta, ocasionalmente diarréia, procure um serviço médico.

Viomundo – Das pessoas infectadas pelo vírus da gripe suína, quantos por cento precisarãode cuidados especiais?

Eduardo Hage – Pelo o que temos observado em outros países com maior número de casos e afetados antes do Brasil – por exemplo, Estados Unidos, México, Argentina e Chile --, no máximo 5%. Ou são casos graves ou tem fator de risco que favorece o agravamento.

Viomundo – Quais as situações que implicam maior risco?

Eduardo Hage – Têm maior risco de desenvolver as formas graves da doença: crianças menores de dois anos de idade; pessoas acima de 60 anos; gestantes; pessoas com imunodepressão (por exemplo, pacientes com câncer, em tratamento de aids ou em uso regular de corticosteróides), hemoglobinopatias (doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como a anemia falciforme), diabetes, cardiopatia, doença pulmonar ou renal crônica e pacientes com obesidade mórbida. Nesses casos, dependendo da condição clinica do paciente, pode ser indicado o exame laboratorial e uso do antiviral.

Viomundo – A letalidade está em quanto?

Eduardo Hage – Em 0,45%.

Viomundo – Nos últimos dias, teve quem dissesse que a letalidade no Brasil passou para 1% devido ao aumento dos óbitos. É 1% ou 0,45%?

Eduardo Hage – A letalidade é de 0,45%. O cálculo de 1% não está correto. Eu explico. A letalidade só pode ser calculada enquanto se contam todos os casos. E como já sabemos que a grande maioria dos casos será leve, não é mais indicado esse cálculo. O foco agora são os pacientes já com quadro grave ou com fator de risco para doença grave. Logicamente, nesse grupo teremos mais óbitos. Portanto, não pode servir como parâmetro para comparação. Você terá a falsa impressão de que a situação está se agravando, quando não está.

Viomundo – O senhor citou o Chile e a Argentina. Por que a pandemia de gripe suína chegou mais cedo nesses países do que no Brasil?

Eduardo Hage – Principalmente por causa das condições climáticas. Chile e Argentina têm inverno muito mais rigoroso que o Brasil. Não à toa o estado com maior número de casos e óbitos, em termos relativos, é o Rio Grande do Sul. Isso não é novidade. Todos os anos o Rio Grande do Sul tem a maior proporção de casos internados por influenza e pneumonia que os demais estados. Portanto, esse aumento de casos já era esperado. Além disto, julho no Brasil é o mês em que há maior número de casos todos os anos.

Viomundo – Este ano, além da gripe sazonal, teremos que enfrentar a suína também?

Eduardo Hage – Pelo o que tem se observado em vários países, como Argentina e Chile, não necessariamente. O vírus da influenza A está "afastando" outros vírus respiratórios.

Viomundo – Como assim?

Eduardo Hage -- Em alguns países, 90% dos vírus causadores de gripe em circulação é o novo H1N1. O que pode haver é somente a substituição de vírus sem aumentar o número de casos graves e óbitos. Isso só poderemos avaliar no final dessa fase da pandemia. Mas pelo que temos observado até agora o padrão é muito semelhante ao da gripe comum. A maior ocorrência é nos estados do sul do Brasil e a intensificação, no mês de julho. A única novidade é o vírus. O da vez é o novo H1N1.

Viomundo – Há estimativa de quantos casos de influenza há no Brasil por ano?

Eduardo Hage -- Nós temos dados de internações e óbitos. Mas sempre usamos juntos os de influenza e pneumonia, pois em muitas situações a pessoa teve pneumonia associada à gripe, ou a partir da gripe, ela desenvolveu uma pneumonia. Aí, se registra o diagnóstico de pneunomia. Em 2007, tivemos 44.200 óbitos por pneumonia/influenza. Em 2008, um pouco menos, mas o número ainda não está fechado. Quanto às internações, houve 723 mil por influenza e pneumonia. O mês de julho foi responsável pelo maior número tanto para internação quanto para óbito.

Viomundo – Ou seja, todo ano nessa época há normalmente aumento dos casos de gripe. Só que este ano vai ser de influenza A?

Eduardo Hage – Exatamente.

Viomundo – O fato de coincidir com as férias escolares não seria um fator que ajudaria a conter a transmissibilidade?

Eduardo Hage -- Não necessariamente. Para crianças e adolescentes, sim, pois diminui o contato na escola. Mas para adultos, não; é um período em que viajam mais, se expõem mais. Então os números acabam se contrabalançando.

Viomundo – O que o senhor ressaltaria ainda?

Eduardo Hage – Enfatizar o que já disse antes. A influenza tem características muito semelhantes à gripe comum que acontece todo ano no inverno. A abordagem, portanto, é a mesma que se deve ter em relação à gripe comum. Com maior cuidado com aqueles que podem vir a desenvolver a forma grave. Pandemia, por si só, não significa maior risco de as pessoas adoecerem e morrerem. Significa apenas que a adoença está disseminada em todo o mundo. E a conduta a ser adotada é exatamente a que recomendamos para os sintomas da gripe comum; na presença deles, procure a unidade de saúde mais próxima.

Viomundo – E as medidas de prevenção?

Eduardo Hage -- O vírus da gripe suína, como já dissemos, é transmitido da mesma forma que o da gripe sazonal: por gotículas que são expelidas quando a pessoa infectada fala, espirra ou tosse. E as medidas de prevenção são as mesmas para o controle e prevenção da gripe sazonal e de outras doenças respiratórias. Por isso, as medidas de prevenção são muito importantes, principalmente as individuais, pois evitam que uma pessoa doente transmita o vírus para outra. Questão de respeito com a saúde do outro. Cubra a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir e espirrar; é para evitar que gotículas atinjam os que estão próximos. Lave frequentemente as mãos com água e sabonete. Faça isso, pelo menos: depois de tossir ou espirrar; após usar o banheiro; antes de comer; e antes de tocar os olhos, boca e nariz. Evite compartilhar pratos, talheres e alimentos. Evite colocar as mãos nos olhos, nariz ou boca após pegar mexer com dinheiro, pegar produtos no supermercado ou ter contato com superfícies que não estejam devidamente higienizadas. Procure ter hábitos saudáveis, como alimentação adequada, ingestão de líquidos e atividade física.

Viomundo – E para quem está com sintomas de gripe, o que senhor recomenda?

Eduardo Hage – Evite freqüentar locais fechados, com pouca ventilação. O ideal é permanecer em casa enquanto estiver com tosse, febre e outros sintomas, pois evita a disseminação no trabalho, na escola. Aí, claro, de acordo com a avaliação médica, que vai indicar ou não a adoção de outras medidas. No mais, levar a vida normalmente. Todos os anos, no mundo inteiro, enfrentamos epidemias de gripes que têm características de pandemia. Em 2009, não será diferente. Não há nenhum risco a mais do que enfrentamos nos anos anteriores.

PS. Quem tiver alguma dúvida sobre a Influenza A ou gripe suína, deixa-a em comentários. Um técnico do Ministério da Saúde ira respondê-las.

Prioridades do capital

Há alguns meses o Goldman Sachs, principal banco de investimos dos EUA, recebeu, do governo americano, uma ajuda de US$ 10 bilhões.

Agora, o banco anuncia um lucro líquido de US$ 3,4 bilhões registrado no segundo semestre. Uma recuperação rápida, que pegou de surpresa muitos analistas de mercado. Os lucros foram possíveis por conta de operações na unidade de commodities, moedas e renda fixa.

Estamos falando de um único banco que recebeu US$ 10 bilhões em ajuda.

Poucos dias atrás, os líderes do G8 anunciaram que irão mobilizar, em três anos, US$ 20 bilhões para investimentos para o combate à fome nos países africanos. Segundo a FAO, neste ano, 1 bilhão de pessoas sofrerão com a fome, um crescimento de pouco mais de 10% do número de famintos, quando comparado com o ano antes da crise.

Notadamente que o dinheiro injetado nos bancos, especialmente num banco de investimento, em tese retornaria à economia financiando atividades produtivas, gerando emprego e renda. Mas não é assim que acontece, mesmo que estes repasses se dêem mediante condicionalidades. Até porque, num momento de crise econômica, os bancos preferem retornos mais seguros, papéis com resultados garantidos. Prá isto também serve a dívida pública.

A mim importa mencionar o que todos já sabemos. Mais de um bilhão de pessoas já passavam fome. A dita crise só somou mais gente ao grupo. Mas a questão é: a crise não existia com 1 bilhão de pessoas passando fome, mas passa a existir apenas quando o capital começa se fragmentar, quando capitalistas começam a perder dinheiro.

Quando bancos começam a recuperar, ainda que bilhões de seres humanos continuem no fundo do poço, é sinal de que os tempos melhoraram. É a fé cega ou o cinismo puro daqueles que preferem acreditar na capacidade do mercado de incluir e gerar prosperidade a todos. Uma promessa que cai no vazio para um boa parte da humanidade.

Nossa crise não é financeira, é de rumo, de sentido, de destino.


OMC defende protecionismo moderado no comércio mundial

Ana Carolina Dani

De Paris para a BBC Brasil

Medidas restritivas, quando usadas em situações específicas de crise ou de instabilidade econômica, podem contribuir para o equilíbrio do comércio mundial, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

O documento conclui que medidas de restrição comercial "bem equilibradas" são essenciais para a estabilidade e para o equilíbrio dos acordos comerciais e podem, inclusive, garantir a abertura dos mercados, evitando altos níveis de protecionismo.

"Ao mesmo tempo em que restringem as trocas comerciais, essas medidas podem ser consideradas como um instrumento de ajuste da política comercial, permitindo um alívio temporário à concorrência das importações e permitindo às empresas nacionais fazerem os ajustes necessários", diz o texto.

Segundo a OMC, medidas restritivas ou defensivas podem funcionar como um meio para manter o respeito às leis do comércio internacional, transformando o que antes eram políticas protecionistas arbitrárias em medidas previsíveis.

Este ano, em seu relatório anual sobre o comércio mundial, a OMC avaliou o conjunto de medidas de flexibilização que podem ser usadas pelos países para enfrentar situações de crise e tentou identificar suas consequências para o equilíbrio dos acordos comerciais.

Antidumping

Para a avaliação, os especialistas levaram em conta principalmente, o recurso a cláusulas de salvaguarda – tais como quotas quantitativas de importações – e medidas antidumping ou compensatórias, usadas para combater práticas ilegais de comércio.

Também foi analisado o recurso à elevação de tarifas alfandegárias, além dos níveis efetivamente aplicados, desde que não ultrapassassem as tarifas consolidadas na OMC.

O relatório conclui que a crise atual levou ao uso mais frequente de medidas de restrição comercial. "O que observamos é que, com a crise atual, houve um aumento na utilização desse tipo de medidas", explicou à BBC Brasil a co-autora do estudo, Roberta Piermartini.

Apesar disso, a organização não considera que o maior uso dessas medidas reflita uma tendência geral na direção de um maior crescimento do protecionismo no mundo. "O risco existe, mas até agora não constatamos uma escalada protecionista como a observada durante a crise dos anos 30, quando houve um forte aumento das barreiras ao comércio mundial", afirmou Piermartini.

O relatório indica que o desafio é encontrar o equilíbrio justo para que as medidas não se traduzam em uma escalada protecionista, causando distorções no mercado.

Pascal Lamy

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira em Cingapura, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, reforçou o apelo à prudência.

"Medidas como salvaguardas ou iniciativas antidumping devem ser usadas com precaução, especialmente em tempos de crise. É necessário um equilibrio entre flexibilidade e os compromissos firmados nos acordos comerciais", disse.

A OMC admite, entretanto, que a equação é delicada, lembrando o impasse nas negociações da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial.

Na reunião ministerial de julho do ano passado, realizada em Genebra, o acordo final foi comprometido devido a divergências entre Índia e Estados Unidos sobre a adoção de salvaguardas especiais para a agricultura.

A OMC teme que, diante da crise mundial e da forte queda do comércio internacional, os governos cedam à tentação protecionista. Recentemente, experts da OMC revisaram para baixo a contração do comércio mundial, que este ano deve ser de 10%.

O relatório da OMC também indica que o Brasil está entre os cinco países em desenvolvimento que mais adotaram medidas antidumping nos últimos 15 anos.

Com base em estudos já publicados, o documento sinaliza que, entre 1995 e 2007, os países em desenvolvimento passaram a ser os principais utilizadores desse tipo de barreira.

Brasil

"Antes dos anos 90, os países desenvolvidos, principalmente Canadá, Austrália, EUA e europeus, eram responsáveis por 98% das medidas aplicadas. A partir de 1995, os países emergentes passaram a representar dois terços dessas medidas".

Segundo a OMC, o Brasil é o quinto país que mais recorreu a medidas antiduping, atrás da Índia, Argentina, África do Sul, e México.

No início de julho, o Brasil já havia sido citado em um relatório da OMC sobre os países que adotaram medidas protecionistas. O documento analisou as medidas restritivas e barreiras comerciais adotadas pelos países membros entre março e junho deste ano.

No caso do Brasil, a OMC menciona investigação de dumping iniciada contra a China no setor de fibras sintéticas e cita a decisão anunciada em abril pelo governo brasileiro de ampliar a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular as vendas.

O Brasil também é citado por elevar tarifas de importação para o aço. Nos últimos meses, o governo brasileiro adotou novas tarifas para o produto, com o objetivo principal de frear a entrada de produtos chineses

Em março deste ano, outro relatório da OMC já havia indicado que, em 2008, o Brasil foi o segundo país do mundo, atrás da India, a adotar o maior número de medidas antidumping contra bens estrangeiros. Enquanto a India iniciou 42 casos, o Brasil contabilizou 16 , o dobro do que registrou em 2007.

da BBC Brasil

21/07/09

Carta do passado. O sertanejo também é romântico

Casal se reencontra por causa de carta de amor perdida por dez anos

Um casal que se reencontrou por causa de uma carta de amor que ficou dez anos perdida finalmente se casou na última sexta-feira, na Grã-Bretanha.

Steve Smith, de 42 anos, e a espanhola Carmen Ruiz-Perez, também de 42, se conheceram e se apaixonaram há 17 anos, quando ela passava uma temporada estudando inglês no condado de Devon.

Eles chegaram a ficar noivos após um ano de namoro, mas acabaram rompendo o romance quando ela se mudou para Paris por causa de um emprego.

Anos depois, Smith conseguiu o endereço da mãe de Carmen, na Espanha, e enviou para lá uma longa carta pedindo para reatarem.

Mas a carta, que havia sido colocada fechada sobre uma bancada, acabou escorregando e ficando perdida atrás de uma lareira, de onde só foi recuperada recentemente, durante uma reforma.

'Filme'

Ao finalmente receber a carta, Carmen telefonou para Smith e, dois dias depois, os dois se reencontraram em Paris.

"Parecia uma cena de filme. Corremos um em direção ao outro e nos abraçamos no meio do aeroporto. Trinta segundos depois já estávamos nos beijando", contou Smith ao jornal britânico The Times.

Já Carmen admite que quase desistiu de telefonar para o ex-namorado, tamanho o seu nervosismo ao receber a carta.

"Eu pegava o telefone e desligava, várias vezes. Mas eu sabia que tinha que ligar em algum momento", disse.

Os dois haviam permanecido solteiros todos estes anos.

"Finalmente estou me casando com o homem que eu sempre amei", afirmou ela.

Deu no site da BBC

20/07/09

Petrobras: por que o "paquiderme" incomoda a oposição?

Os artiguetes do Globo e a CPI da Petrobras têm o mesmo objetivo. Além de interesses eleitorais, visam a destruir a empresa vista por Sérgio Mota, ministro e amigo de FHC, "como um paquiderme que consumia US$ 9 bilhões em importações, prejudicando a balança comercial e a sociedade brasileira".

Gilson Caroni Filho

Falta de seriedade e má-fé não costumam dar bons resultados em profissão alguma. Em jornalismo, a união das duas "qualidades" costuma ser fatal. Se, de um lado, agrada ao leitor militante, aquele para quem a informação serve apenas para reiterar sua visão de mundo biliosa, de outro, põe em xeque a existência da própria imprensa como principal instância de visibilidade da vida pública. A justeza dessas observações parecem não preocupar os editores de O Globo. Pelo menos, os de política e economia.

Em sua edição de quinta-feira, 16 de julho, no alto da página 3, encontramos um artiguete que parece reforçar a tese de que a procura de isenção deve começar reunindo tudo o que houver de mais parcial, distorcido e tendencioso. A verdade, nas grandes redações, costuma estar escrita em código na mentira deslavada.

Intitulado “Ato falho", o pequeno editorial destila raiva e descontextualização. Serve puramente como pretexto para o jornalismo de campanha. Um vale-tudo que, ao contrário da luta que leva esse nome, não tem quaisquer impedimentos, sendo permitidas cotoveladas, cabeçadas e, principalmente, barrigadas. O objetivo primário é suprir a ausência de discurso organizado da oposição, animando o seu eleitor com critérios de análise baseados no denuncismo vazio.

Vamos ao texto do Globo: "Embalado pelo clima de comício que tem acompanhado suas incursões pelo país, Lula saiu em defesa da Petrobras, supostamente ameaçada de privatização."(...) Esse paquiderme agora é nosso". Pode ser simples menção ao slogan pela criação da estatal na década de 50- "o petróleo é nosso"- ou um ato falho derivativo do poder que sindicatos passaram a ter na empresa desde 2003. Por ironia, este aparelhamento é que significou uma privatização, só que em benefício de pequenos grupos de militantes sindicais e de partidos aliados ao Palácio"

No desdobramento do raciocínio do editor, o que há de plausível? O que vem a ser o “aparelhamento" que freqüenta as páginas do jornal com a mesma assiduidade que as louvações ao mercado e das contumazes críticas à ineficiência do Estado? Se o termo se refere a loteamento, entre militantes do partido e políticos da base aliada, de cargos estratégicos na administração da Petrobras, seria interessante uma matéria dominical que demonstrasse a existência de fisiologismo no fato de funcionário de carreira de uma empresa estatal ter preferência partidária. E mais: que essa preferência atropele planos de carreira ou premie a incompetência.

Seria o caso de perguntar em que governo o Globo viu a administração pública ser ocupada por burocratas ideais weberianos? No de Fernando Henrique Cardoso que vendeu 36% das ações da Petrobrás, que pertenciam à União Federal, na bolsa de Nova Iorque, por cerca de US$ 5 bilhões, sendo que hoje elas valem mais de 120 bilhões? A excelência administrativa consiste, como foi feito no governo tucano, em manipular a estrutura de preços dos derivados do petróleo em benefício das distribuidoras?

Uma empresa “não aparelhada" é aquela que descumpre acordo de aumento de salários e reprime o movimento de sindicalistas com forças do exército? A boa gestão é a que quebra o monopólio estatal do petróleo? O modelo ideal é aquele em que a Petrobrás descobria bacias de petróleo e o investimento era transferido para o exterior através dos criminosos leilões da ANP?

Os artiguetes do Globo e a CPI da Petrobrás têm o mesmo objetivo. Além de interesses eleitorais, visam a destruir a empresa vista por Sérgio Mota, ministro e amigo de FHC, "como um paquiderme que consumia US$ 9 bilhões em importações, prejudicando a balança comercial e a sociedade brasileira". Segundo ele, caberia a David Zylbersztajn, então diretor da ANP, desmontar "osso por osso" a estatal. Essa é a missão que mobiliza quadros políticos do consórcio demo-tucano. Além da sobrevivência política, esse é o eixo das perorações de Arthur Virgílio, Álvaro Dias e Demóstenes Tôrres, entre outros representantes da direita figadal. Não é por outro motivo que os jornais se empenham em investigar “irregularidades inadmissíveis.”

O que está em jogo é o destino de uma empresa que hoje está em quarto lugar entre as 200 maiores do mundo. Some-se a isso um futuro marco regulatório que, segundo o presidente Lula,"irá balizar o setor e evitará que outros governos tentem "privatizar" o insumo e conceder sua exploração a empresas privadas" e surge a noção exata do paquiderme que incomoda o entreguismo.

No site Carta Maior

19/07/09

Ditabranda da elite

18/07/09

Folha de São Paulo ajuda Serra no Rio Grande do Sul

O jornal Folha de São Paulo publicou, em primeira página, a foto acima. PHA havia observado que o Estadão, por exemplo, preferiu uma foto mais amena, mostrando uma governadora negociadora. PHA só não comentou uma obviedade:

A Folha não expõe um político tucano à toa, não se engane. Apenas está dando uma mãozinha ao Serra, quebrando a Yeda em favor de parte do PMDB gaúcho, sem expor o governador paulista.

É o processo de costura da parceria entre o PMDB gaúcho, que vai disputar o governo do Rio Grande, com o serrágio, que sonha em ser presidente.